sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Comece bem o dia com o café da manhã


Não é raro, na prática clínica, encontrar pessoas que não têm o hábito de realizar o café da manhã. Dizem por aí que é a refeição mais importante do dia e talvez seja mesmo, pois vem logo após um período maior de jejum, que são nossas horas de sono.

Embora muitos acordem sem fome, sempre recomendo uma refeição pela manhã, mas inicialmente com uma introdução gradual de alimentos, tornando a adesão mais fácil. Pode notar que se você come pela manhã, quando chega na próxima refeição, não tem “aquela” vontade de comer tudo o que vê pela frente.

O problema não é a falta de fome de manhã, mas a “falta de tempo”? Dá para acordar uns 10 minutinhos mais cedo para preparar o seu café. Para começar, não precisa ser nada muito elaborado, e, se for preciso, você pode até adiantar algumas coisas na noite anterior para economizar preciosos minutos. Exemplo: se for fazer um suco no liquidificador, pode deixar o aparelho já montado próximo à tomada, bem como frutas pré-prontas, ou seja, cortadas/descascadas em um pote na geladeira. Dependendo do que for utilizar, é mais interessante cortar na hora, pois certas frutas podem oxidar rapidamente, perdendo nutrientes. Vai fazer um sanduíche? Já deixe o pão disponível e os recheios “à mão” na geladeira. É só abrir e pegar! E para os que saem correndo para o trabalho, valem as mesmas dicas! Dá para preparar uma vitamina rapidinho, colocar numa garrafa e beber ao longo do trajeto.

Com os incentivos, alguns pacientes/clientes que não tomavam café da manhã, passaram a acordar mais cedo para preparar e também sentar-se à mesa, que nem sempre é possível, embora seja recomendável! Mudar é sempre complicado para alguns, então, no começo vai ser um exercício diário, mas que vale a pena!

De forma geral, o café da manhã deve ser composto por proteínas + carboidratos + gorduras "boas" + vitaminas e minerais, o que torna a refeição completa, e deve ter o mínimo possível de industrializados (achocolatados, "sucos" de caixinha...) Obviamente que a quantidade e os alimentos presentes dependem de uma série de fatores, como necessidades, objetivo, condições de saúde, gostos pessoais... Por isso, para uns pode ter quantidades maiores de carboidratos ou proteínas, por exemplo, e outros com menores quantidades... Afinal, nutrição não é receita de bolo! ;) 

Meu mingau de aveia em uma viagem: dá para comer bem em qualquer lugar!

Veja opções bacanas:

- Sanduíche de pão integral com queijos magros + fruta + leite ou iogurte ou bebida vegetal

- Vitamina com leite ou bebida vegetal + fruta + aveia/linhaça/chia/quinoa + canela e/ou cacau em pó

- Ovo mexidos ou omelete: Embora não seja hábito no nosso país pela manhã, o ovo é uma proteína de alto valor biológico, fornecendo todos os aminoácidos essenciais (aqueles que o corpo não produz), e outros nutrientes, como a colina, que está presente na gema, e é ligada ao sistema nervoso central e à memória. Ou seja, ótimo para quem vai trabalhar/estudar e precisa de concentração. A refeição pode ser complementada com temperos naturais, café ou chá, frutas... Além disso, estudos sugerem que seu consumo pela manhã pode auxiliar na saciedade no restante do dia, o que evita os excessos. Não é demais?

- Panqueca: Também não é hábito do brasileiro, mas pode ser feita de várias formas (doce, salgada, com ou sem fruta, com ou sem aveia...) fica uma delícia. Eu adoro principalmente a de banana (aqui tem uma das minhas receitas!).

- Iogurte + fruta + aveia/granola/linhaça/chia/quinoa + oleaginosas

- Mingaus: Tem gente que acha que é coisa de “bebê”, mas além de gostoso, pode ser muito nutritivo, dependendo do que você for utilizar. Dica: o bom e velho mingau de aveia (leia sobre a aveia aqui!), podendo acrescentar alguma fruta picada e oleaginosas.

Você toma café da manhã? Tem sugestão de algo? Conta nos comentários!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Nutrição na Flacidez




A flacidez é algo temido por muitas mulheres (alguns homens também, mas em geral, mais as mulheres) e ocorre quando há baixa regeneração das fibras colágenas e elásticas, bem como sua desestruturação, além de baixos estímulos musculares (ver abaixo os tipos). Sua etiologia é, muitas vezes, multifatorial: fumo, sedentarismo, gravidez, obesidade, distúrbios hormonais, emagrecimento, baixa ingestão de proteínas, ganho excessivo de peso, envelhecimento e radicais livres.

Existem três tipos de flacidez, que são: muscular, dérmica ou de pele e mista (muscular e dérmica associadas). A muscular é mais “fácil” de resolver, já que inserindo a prática de exercícios no dia a dia, especialmente exercícios com pesos (aeróbicos não costumam ser suficientes), os primeiros resultados são visíveis em pouco tempo. Evidentemente que associados a uma “dieta” isso será potencializado. Enquanto que a dérmica e a mista precisam de mais cuidados, como a hidratação da pele (não é só água!), reestruturação das moléculas de elastina e colágeno e exercícios físicos. Quanto mais cedo essa condição for tratada, melhores serão os resultados.

Todos os fatores que podem dar origem à flacidez são importantes e devem ser analisados. Porém, na prática do nutricionista, o emagrecimento, que na maioria das vezes é o que leva o indivíduo ao consultório, merece atenção. Os pacientes chegam bem ansiosos em busca de resultados e, desde a primeira consulta, temos que explicar que não é só a perda de peso que importa. Sinais e sintomas (sabia que a sua dor de cabeça ou até sua acne podem ter relação com a alimentação?) costumam ser melhorados com a alimentação e, como consequência da mudança de hábitos, o emagrecimento virá naturalmente. Ainda, é essencial explicar e trabalhar para que não haja uma perda brusca em pouco espaço de tempo (aquela coisa de - 10 kg em 1 mês), pois a flacidez pode vir, especialmente a dérmica, mais difícil de tratar.

Se o paciente tiver muito peso para perder (em gordura, por isso o peso na balança não deve ser parâmetro) ou gordura localizada (geralmente no abdômen ou culotes, por exemplo), por mais que seja feito um plano alimentar com todos os nutrientes necessários e essa perda seja lenta, pode (leia bem: “pode” e não “vai”) haver um pouco de flacidez devido ao estiramento da pele. Sendo assim, não tem jeito: alimentação e exercícios devem ser combinados para evitar ao máximo que isso aconteça! Daí também a necessidade de seguir tudo certinho o que seu “nutri” passou! Se não seguir as quantidades, pular refeições ou fizer substituições que não estão indicadas, os resultados podem ser influenciados. Pense nisso!

Diversos nutrientes são fundamentais para evitar esse processo. Veja abaixo:

- Proteínas, especialmente as de alto valor biológico (AVB): Auxiliam na síntese e reparação de tecidos, o que não significa que o consumo deve ser desenfreado! Fontes alimentares: ovos, frango, peixe, carne vermelha, leite... 

- Silício: Reorganiza as fibras de colágeno e elastina, evitando que a pele perca sua elasticidade natural.  Fontes alimentares: aveia, cavalinha, levedo de cerveja, cebola, lentilha, banana...

- Vitamina C: Preserva a estrutura dos fibroblastos e essencial para manutenção e síntese de colágeno. Fontes alimentares: acerola, laranja, limão, goiaba, tangerina, morango, tomate, pimentão...

- Vitamina E: Protege a membrana celular e potencializa a ação da vitamina C. Fontes alimentares: ovos, fígado, peixes, castanhas e outras oleaginosas, óleos, como o de milho, de amendoim...

- Zinco: Favorece a renovação celular e potencializa a ação de enzimas antioxidantes (um exemplo é a SOD – superóxido dismutase). Fontes alimentares: carne vermelha, algas, ostras, cereais integrais, leite e derivados, grãos...

- Selênio: Protege as células dos radicais livres, evita flacidez tecidual. Fontes alimentares: castanha-do-Pará/Brasil, peixes, cereais integrais...

- Magnésio: Atua na formação de tecidos, participa do trabalho muscular. Fontes alimentares: Nozes, leguminosas (lentilha, feijão...), frutos do mar, milho...

- Luteína: Importante para a hidratação natural da pele: Fontes alimentares: Folhas verdes, milho, gema de ovo...

- Ômega 3: Também importante para hidratação natural da pele. Fontes alimentares: alguns peixes (sardinha, atum, cavala, salmão), linhaça, chia...

- Flavonóides: Ação antioxidante. Fontes alimentares: vegetais, frutas vermelhas, nozes, chás (verde, por exemplo), cacau em pó, cebola, alho, suco de uva integral (possui resveratrol)...

Todos os nutrientes citados têm outras funções para a saúde, portanto, devem estar presentes na alimentação, mesmo que o foco não seja evitar a flacidez. Ainda, além da alimentação, o nutricionista pode prescrever no seu plano alimentar alguns suplementos prontos (por exemplo: whey protein, colágeno hidrolisado e aminoácidos como BCAA e glutamina) e/ou manipulados (compostos de vitaminas, minerais, podendo ter algum dos citados anteriormente) para dar uma forcinha extra para seus resultados. Vale destacar que você pode ter a melhor alimentação e os melhores suplementos, contudo, se não corrigir hábitos como sono inadequado, baixa ingestão hídrica, tabagismo, álcool e exposição excessiva ao sol, tudo isso não será tão eficaz.

Quanto aos exercícios físicos, o ideal é procurar um profissional da área para trabalhar em conjunto com o nutricionista. E, como complemento, existem hoje em dia diversos tratamentos estéticos e produtos cosméticos. É claro que não fazem milagres, que em primeiro lugar o que funciona é a dupla alimentação + exercícios, mas certamente irão auxiliar na qualidade da sua pele!

Por fim, não esqueça que o envelhecimento é um processo natural, que chega para todos. Logo, por mais que possamos retardar ou atenuar alguns sinais pela alimentação saudável e outros bons hábitos, se um pouquinho de flacidez aparecer e não puder ser tratada, não é necessário ficar neurótico. O que vale sempre é ter saúde para aproveitar a vida! ;)

Referências:
COSTA, Neuza Maria Brunoro; ROSA, Carla de Oliveira Barbosa (Ed.). Alimentos funcionais: componentes bioativos e efeitos fisiológicos. Rio de Janeiro: Rubio, 2010.  
PUJOL, Ana Paula (org.). Nutrição Aplicada à Estética. Rio de Janeiro: Rubio, 2011.