segunda-feira, 25 de junho de 2012

Por que a reeducação alimentar é tão importante?

É bastante comum ouvir o termo “reeducação alimentar” quando se fala de vida saudável. Essa reeducação consiste na mudança de hábitos na alimentação, e, ao contrário do que muitos pensam, sem eliminar alimentos que fazem parte da cultura do indivíduo. Frutas, vegetais, carnes magras e cereais, por exemplo, devem fazer parte de uma alimentação saudável, mas alimentos como doces e salgadinhos também podem estar presentes, desde que consumidos de forma equilibrada e esporádica.

Não importa se o seu objetivo é ter mais qualidade de vida, ganhar massa muscular (hipertrofia) ou emagrecer: para qualquer um deles, será necessária uma reeducação dos seus hábitos alimentares para que os resultados sejam mais eficazes e duradouros.

Um desafio para os profissionais de área da saúde é fazer o indivíduo compreender que bons resultados só vêm mesmo após um longo período de acompanhamento e, claro, dedicação. Muitas pessoas buscam uma academia e/ou um nutricionista com objetivos irreais, como emagrecer 10 ou 15 kg, por exemplo, em tempo recorde. Certas vezes, chegam a desistir antes mesmo de um programa adequado quando o profissional explica o período em que as mudanças passariam a ser visíveis. Essa pressa para atingir os objetivos geralmente não é boa. Dietas “radicais” acabam sendo a escolha e a pessoa pode até emagrecer bastante em um curto período, no entanto, quando voltar a comer da maneira antiga, recuperará tudo que perdeu, e, provavelmente, um pouco mais também. E assim cria-se um ciclo vicioso: faz uma dieta muito rígida, emagrece, engorda novamente, volta para a dieta... Além de não ser saudável, isso tudo gera uma constante insatisfação com a própria imagem.


Os hábitos devem ser mudados aos poucos, mas com a idéia de que devem ser mantidos para a vida toda e não somente até atingir sua meta. Assim, você ganhará mais saúde, mais disposição, um corpo mais bonito, entre outros benefícios, por muito mais tempo!

Então, quando os educadores físicos e/ou nutricionistas disserem que o seu objetivo pode ser atingido em determinado período, não desanime. Seja persistente, pois um bom programa de exercícios e uma alimentação adequada vão trazer resultados. Demora mais? Sim, mas também tenha certeza, mais uma vez, de que será mais duradouro, se você aprender a se alimentar corretamente.

Alguns aspectos devem ser considerados antes desse processo, como estilo de vida do indivíduo e possíveis doenças já existentes, por isso, procurar um nutricionista é fundamental para que haja uma orientação e acompanhamento de acordo com essas características. Porém, as dicas postadas anteriormente aqui no blog podem ser adotadas para iniciar a reeducação.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Isso já aconteceu com você?

Se você pratica musculação, é bem provável que já tenha passado por uma situação como essa da tirinha: você se pesa em um dia, se alimenta direito, malha muito, e, quando vai se pesar novamente, "engordou". Sim, entre aspas, pois nem sempre o aumento de peso significa que você ganhou gordura ou que está fazendo algo errado. 

A massa muscular pesa mais que a gordura, logo, esse aumento de peso pode ser devido ao ganho de músculos. É comum as pessoas se apegarem muito ao número que aparece na balança, mas ela não é o único parâmetro para saber a sua evolução na academia. As roupas, que muitas vezes estão apertadas, podem começar a servir novamente, o que mostra que você está conseguindo adquirir massa muscular.

Além disso, para criar massa muscular o corpo gasta mais calorias, para mantê-los também. Isso significa que quanto mais músculos você tiver, mais calorias vai queimar, mesmo enquanto dorme. Não é ótimo? Por isso, musculação é um excelente exercício. Mas não esqueça que bons resultados requerem determinação tanto na dieta quanto nos exercícios (musculação ou não). Exercício é saúde! Pratique! Só não esqueça de procurar um especialista caso tenha algum problema que possa interferir.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Como se alimentar no inverno?

O inverno é uma estação que traz mais que apenas temperaturas baixas: traz vontade de comer/beber coisas quentinhas e que, normalmente, são bem calóricas. Alguns exemplos: fondue, lasanha e outras massas, chocolate quente, etc. Porém, se entregar a todas essas delícias sem controle pode gerar desequilíbrios na alimentação e quilos extras sem praticamente nem perceber. Por isso, se você se cuidar durante o inverno, não precisará "se desesperar" como muitos fazem próximo ao verão. Lembre-se que os cuidados com a alimentação devem fazer parte da sua rotina o ano todo e não somente em determinadas épocas, pois falamos também de saúde!


Com as dicas abaixo você pode aproveitar coisas quentinhas no frio, mas de forma mais saudável!

- Chás: Existem diversos tipos de chás, o que é excelente, pois você pode variá-los para não enjoar. Beba algumas xícaras por dia, mas não esqueça que também é necessário beber água pura. No inverno é comum termos menos sede, por isso precisamos fazer um "esforcinho" para não esquecer de tomar. Se quiser algum benefício no chá, experimente, por exemplo, o chá verde, que é rico em antioxidantes e bastante utilizado por ajudar na perda de peso, por controlar a glicemia, entre outros. Só não vale abusar na hora de adoçar o seu chá, seja ele verde ou não. O ideal é que se beba os chás sem adoçar. Ele é um pouco amargo, mas acostuma-se ao sabor. Eu, por exemplo, o utilizo com frequência.

- Você pode fazer de uma bela sopa o seu jantar! De legumes, é claro! Adicione seus vegetais favoritos, uma fonte de proteína, uma de carboidrato (batata ou massa, por exemplo) e muitos vegetais. Além de nutritiva, a sopa sacia e aquece o corpo.

- Algumas frutas podem ser aquecidas no microondas com um pouco de canela em pó e tornam-se uma sobremesa ou lanchinho leve. É o caso da banana e da maçã. Experimente!

- As saladas acabam ficando meio de lado durante os meses de frio, mas, para não ficar sem vegetais, além da sopa, você pode preparar legumes cozidos ou refogados. Se puder, prefira preparar no vapor, para que não percam nutrientes durante o cozimento. Quentinhos e nutritivos!

- Tem espaço para alguma "delícia calórica"? Tem, sim! Afinal, não é necessário ser radical. Queremos saúde acima de tudo! Se você vai sair algum dia para comer em restaurantes ou vai na casa de alguém, saiba que você pode comer um fondue ou uma boa massa, por exemplo. É evidente que não se deve abusar. Prove, coma devagar, sinta bem o gosto do alimento, mas não se prive e nem coma em excesso. Assim, pode-se aproveitar com tranquilidade o inverno. Vários pratos da estação podem conter muito açúcar ou sal, o que pode alterar a glicemia e elevar a pressão, respectivamente, por isso deve-se focar no equilíbrio.

- Um chocolate quentinho também pode fazer parte dos dias de frio. Existem muitas receitas mais leves na internet, com uso de leite desnatado ou leite vegetal, achocolatado light (ou cacau em pó), canela em pó, etc. Escolha uma e aproveite!

Chocolate quente? Não é proibido, mas por que não deixá-lo mais levinho?
No mais, as outras dicas dos primeiros três posts do blog são válidas em qualquer estação do ano: moderação, consumo de frutas e vegetais, mastigação adequada, lanches intermediários... São toques importantes para passar pelo inverno de uma forma equilibrada e saudável.

Essas foram algumas dicas, mas às vezes a gente tem um "truque" só nosso para o inverno. Se você tiver, mande para o blog!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Emagrecer por "milagre"?

Hoje a postagem é mais para uma pequena "reflexão" sobre a tirinha abaixo:


O personagem refere que todas as dietas precisam que ele regule seu consumo de comida. Ou seja: ele quer emagrecer por algum "truque de mágica" ou "milagre". Isso não existe, pessoal. É evidente que para emagrecer é necessário realizar alguma mudança. Sou contra qualquer dieta rígida, mas para perder peso (ou ganhar músculos, definir o corpo, etc) você vai ter que se adequar a novos hábitos, sempre devagar e sem radicalismos, como já falei por aqui. Quer perder peso? Faça uma reeducação alimentar. Quer acelerar mais o processo? Faça exercícios físicos, passe a se movimentar mais: deixe o elevador de lado e vá pelas escadas, desça um ponto de ônibus antes do seu e caminho o restante, enfim, pequenas coisas que começam a fazer diferença no seu gasto diário de calorias!

E lembre-se: se comer como sempre comeu, vai pesar como sempre pesou!

Boa semana para todos!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Alimentação das crianças: como lidar?

Se lidar com a alimentação de adultos nem sempre é fácil, que dirá da alimentação das crianças? Os pequenos tendem a não gostar de frutas e vegetais, e comem muitas bobagens, como doces, salgadinhos, etc. Mas, por mais que seja um pouco trabalhoso esse manejo, vale a pena, pois é na infância que a criança adquire certos hábitos. Logo, se ela aprende a se alimentar bem nessa fase, é provável que na vida adulta isso permaneça.

É importante ensinar bons hábitos alimentares ainda na infância
Sempre tive preocupação e interesse sobre alimentação infantil e realizei um estágio diretamente com crianças na fase pré-escolar e escolar, o que me deixou ainda mais envolvida com o tema, pois precisava fazer trabalhos de Educação Alimentar com elas. Mas, na verdade, o que me motivou a escrever sobre isso foi a leitura de uma matéria na Revista Época, chamada Crianças 3 x 0 Comida (Abril/2012), onde mães contaram sobre a dificuldade de fazer os filhos comerem alimentos saudáveis. Uma delas contou que chegava a chorar escondido porque a filha não queria comer. Como dizia na matéria, algumas mães podem se sentir rejeitadas com esse tipo de atitude vinda dos filhos. Caso alguém queira ler a matéria completa, basta clicar aqui.

Nós, nutricionistas, temos que ter um lado de "psicólogo" também (trabalhar junto com um é o ideal), pois o emocional e a mente do paciente precisam estar bem para uma mudança adequada do comportamento alimentar. Com as crianças, isso não é diferente. E precisamos de muita criatividade para trabalhar com elas. Porém, os pais têm papel crucial nessa modificação de hábitos, independente de ter um nutricionista envolvido ou não.

Algumas atitudes muito comuns por parte da família são: fazer a criança comer "à força" algo que não goste, fazê-la comer tudo o que está no prato, não dar exemplo a ela, entre outras. Vamos a cada um desses pontos:

1) Fazer a criança comer "à força"
É claro que devemos incentivar o consumo de alimentos saudáveis às crianças, mas de forma gradual e não forçando, pois elas podem criar algum tipo de trauma, sentir que a alimentação é algo feio, por exemplo. Não é na primeira tentativa que vão gostar. Então, se tentou um alimento em um dia, no outro ofereça algo diferente. É importante ter esse estímulo com alimentos diferentes, assim como deve acontecer com adultos.

2) Fazer a criança comer tudo o que está no prato
Mais uma vez, a criança pode entender que a alimentação é algo feio. Muitas vezes, são até castigadas por não comerem o que está no prato. Ou ao contrário: ganham algum "mimo" quando comem tudo. Isso é correto? Não! Em nenhum dos casos. No caso de comer em troca de presentes, a criança pode começar a querer um presente toda vez que fizer alguma coisa solicitada pelos pais, não só a comida. A comida não deve ser um castigo e nem mesmo prêmio. Pode ser que a criança já esteja satisfeita com o que comeu, portanto, observe o quanto ele ingeriu. Incentive a comer um pouco mais, porém, de maneira gentil. Se a criança negar, não adianta insistir. Na próxima refeição, observe novamente e, se for o caso, converse com ela.

3) Não dar exemplo
Como é que você vai incentivar o seu filho a comer frutas, vegetais e outros alimentos saudáveis se você mesmo não come? Você tem que ser um exemplo. Sempre que possível, oferte diferentes alimentos à mesa na hora das refeições. Quanto mais colorido, melhor, pois isso costuma atrair as crianças. Ofereça um pouco a elas, mas é importante que você também coma! Caso não goste de alguma coisa servida, pelo menos disfarce para que ela não perceba, senão ela já vai saber que "é ruim". Já se você gosta, faça elogios ao alimento, diga que é gostoso, sorria. Assim, mais cedo ou mais tarde, ela vai querer experimentar.

Assim como citado nos posts anteriores do blog, moderação é a palavra-chave! Você não precisa excluir todas as guloseimas da alimentação da garotada. Porém, oferte com pouca frequência e observe as porções, já que o excesso pode levar ao ganho de peso.

Além disso, não é só em casa que a criança precisa de incentivo para boas escolhas alimentares. A escola tem um papel importante também nesse contexto. Muitas escolas possuem cantinas e, geralmente, não vendem opções mais leves como sanduíches com salada, sucos naturais ou salada de frutas, mas sim lanches gordurosos e/ou açucarados como pastéis e frituras em geral, bolos, biscoitos recheados e refrigerantes. O ideal é preparar a lancheira da criança em casa para que ela leve e não dar dinheiro para as compras nas cantinas. 

Ainda há a opção de se alimentar com a comida oferecida na escola. O estágio que eu comentei mais acima era em uma prefeitura e pude ver de perto como é a alimentação oferecida nas escolas: variada, colorida e com as necessidades para a faixa etária. Pode-se combinar com os filhos de, por exemplo, um dia na semana poderem comprar alguma coisa que gostem na escola. Assim, a alimentação passa a ser mais flexível.

Voltando para o lar, sempre que possível, deixe os filhos participarem do preparo dos alimentos. Faça-os lavarem as mãozinhas e providencie utensílios adequados, como facas sem ponta para evitar machucados. Quando participam da atividade, elas costumam provar e faz bem para a autoestima delas, pois elas pensam "fui eu que fiz". Não é necessário fazer o trivial. Se puder, coloque a criatividade para funcionar! Brinque com os alimentos: faça rostinhos e cabelos com a comida, formatos divertidos, etc. 

Com criatividade, os alimentos podem ser muito atrativos
Lembrando que essas dicas valem para crianças que já são maiores de 6 meses, afinal, até essa idade recomenda-se somente o leite materno, que possui todos os nutrientes que o bebê precisa, além de outros benefícios.