sexta-feira, 28 de junho de 2013

Padrões de Beleza?!

Como sempre falo e falei já aqui no blog, vários posts acabam sendo voltadas ao emagrecimento porque muitos buscam, frequentemente, a perda de peso. E nós, nutricionistas, temos o papel (entre muitos outros, pois não existe só a parte de atendimento na área da nutrição) de levar informação às pessoas, para que as mesmas quando buscam essa perda, tenham consciência da importância dos hábitos alimentares saudáveis em primeiro lugar pela saúde.

Com a popularização das redes sociais e a criação de blogs, fanpages e perfis nos Instagram voltados à vida saudável, tenho percebido que algumas pessoas ficam, certas vezes, incomodadas, achando que é exagero, que isso tudo de postar fotos e dicas de alimentação/exercícios é uma fixação, visto que a maioria que cria esses perfis são magras ou estão em processo de emagrecimento. Por isso, tive a ideia de escrever o post de hoje sobre padrões de beleza.

Vamos pegar como exemplo as revistas femininas. Na capa de praticamente todas, sempre tem uma atriz famosa ou uma modelo e que são magras. Nos conteúdos, matérias sobre como perder "x" quilos em "x" dias (sem pensar na saúde, por vezes), como ter o cabelo da cor/corte da famosa do momento, informações sobre procedimentos para aumentar ou diminuir partes do corpo, etc. Da mesma forma que os nutricionistas têm o papel de passar a informação, essas revistas procuram fazer o mesmo, porém, para algumas mulheres isso tudo passa uma imagem de constante cobrança em relação à forma física e aparência de modo geral. Sendo que esse "apelo", pode ser visto não só nas revistas, mas também na televisão, no cinema e em outros lugares também. 

Não podemos negar que os padrões de beleza realmente existem e que foram mudando ao longo dos tempos. No período Medieval até a Renascença, mulheres gordas eram muito valorizadas e desejadas, pois o arredondamento na região abdominal era associado à fertilidade e à maternidade. Depois, foram surgindo outros "ícones" de beleza, como podemos ver abaixo:

- Anos 40: Marilyn Monroe (considerada gorda por muitos);
- Anos 60/70: a modelo Twiggy Lawson era o principal exemplo, em uma época onde a magreza, a falta de curvas e seios pequenos eram a moda;
Twiggy Lawson, em 1966
- Anos 80: Novas formas começam a surgir e o corpo musculoso aparece como exemplo. Representavam esse tipo de corpo, na época, as cantoras Madonna e Grace Jones;
- Meados dos anos 80 e já nos anos 90: Mulheres magras, porém, sem excesso e com aparência mais saudável, ditavam a moda. Entre elas: as modelos Luiza Brunet e Cindy Crawford;
- Ainda nos anos 90: Kate Moss, modelo, trouxe novamente a "onda" da magreza;
- Anos 2000: A brasileira Gisele Bündchen é um dos exemplos de padrão de beleza atual, para algumas mulheres. Ainda surge um novo padrão, que é o das mulheres com corpos mais avantajados, em sua maioria esculpidos por exercícios, não necessariamente iguais aos exemplos dos anos 80.

Pode-se notar que a moda quase sempre é passageira. O que é considerado bonito hoje, pode não ser amanhã e, no fim das contas, o que importa é você se sentir bem, ter saúde, viver socialmente e ser feliz sem enlouquecer seguindo padrões (rígidos em diversas vezes).

Dá para ser feliz sem seguir padrões! Encontre o seu caminho!


Até que ponto os esforços valem a pena? Nem todo mundo come o que quer à vontade sem engordar. Logo, para muitos é preciso, sim, um controle alimentar, no entanto, sem que isso signifique "sacrifício", que tem que sofrer para isso. Você gosta de se alimentar bem, comer coisas saudáveis e manter-se com o corpo magro? Continue dessa forma! Gosta de praticar exercícios? Continue praticando!

Por outro lado, se você está acima do peso considerado ideal e se sente bem dessa forma, você vai emagrecer só porque a "sociedade exige"? Não é bem assim. Primeiro, pense se você realmente se sente em paz com seu corpo. Alguns dizem que sim, porém, julgam uma pessoa como a do primeiro exemplo, que gosta de ser magra, comer bem, etc, e muitas vezes gostaria de ter a mesma dedicação/disposição para viver de maneira mais saudável. Ninguém está errado sendo "assim ou assado", o que falta é refletir.

Estudos indicam que pessoas com excesso de peso podem ter algumas doenças vinculadas a isso, o que não quer dizer que toda pessoa que esteja acima do peso "ideal" não esteja saudável. Bem como não quer dizer que uma mulher magra e que veste manequim 38 está "vendendo saúde".

Indicadores de saúde tais quais pressão arterial, níveis de colesterol, níveis de glicose, entre outros, podem ser melhorados com mudanças no estilo de vida, como alimentação saudável, prática regular de exercícios físicos, abandono de cigarro e/ou álcool, etc, sem que necessariamente haja perda de peso. Portanto, é importante deixar as consultas médicas em dia para realizar check-ups e exames para que sua saúde esteja em ordem.

Falando um pouco sobre exercícios físicos: todos devem saber que aumentar o movimento na rotina é essencial em muitos aspectos, desde a melhora de indicadores de saúde (como citado acima) até melhora do sono, da disposição para o trabalho e até mesmo o convívio social. Mas escolher alguma atividade é algo muito individual: não é porque todos os seus amigos fazem musculação que você também precisa fazer, embora seja um excelente exercício. Você considera musculação uma atividade monótona, então, por que não procurar algo que lhe agrade? Quem sabe ginástica localizada? Jump? Caminhada? Corrida? Uma boa aula de spinning? Natação? Quem diz que não gosta de nenhum exercício é porque com certeza ainda não encontrou algo que realmente faça bem para si. Experimente! Você só precisa encontrar um caminho!

O mesmo vale para alimentação, que, sendo saudável, é boa para todo mundo, mas se você não gosta de alguma fruta, logo, não precisa comer "aquela". É claro que sempre devemos experimentar, pois podemos até passar a gostar do alimento depois. Só que às vezes não tem jeito mesmo, não é? Se isso acontecer, existem tantas outras frutas por aí! Tente outras! Outro exemplo: há pessoas que comem frango com batata doce em várias refeições ao dia. Você precisa disso? Se acha que não ou que vai ser "sacrificante", não faça! A não ser que tenha sido realmente orientado assim por um profissional, você pode procurar outras opções e adequar ao seu gosto e às suas condições. Aliás, esse é o ponto: "dieta" não é como receita de bolo, que todo mundo copia e o resultado é igual. O que é bom para mim, pode não ser para você, tanto em resultados, quanto em facilidade de fazer, sabor, etc.

Não existe nenhuma regra mágica que vá fazer sua autoestima ser boa e você se aceitar da maneira que é. Se você não está satisfeita com a "barriguinha", comece a mudar em vez de só reclamar dela. Ou questione o porquê de você querer isso. Iria te fazer sentir melhor? As pernas finas te incomodam? Converse com um profissional de educação física e veja o que ele te recomenda. Se possível, também procure um nutricionista, já que resultados são mais visíveis quando aliamos alimentação (pelo menos 70% do resultado) + exercícios, como você pode ler aqui.

Cada uma de nós tem um jeito único e sua beleza. Não preciso ter o olho azul como o da modelo da capa de revista, nem ter o nariz delicado de outra famosa. A marca Dove realizou uma campanha chamada "Real Beleza", na qual mulheres de todos os tipos (magras, gordas, altas, baixas, morenas, ruivas, loiras, etc) participavam, mostrando exatamente isso: cada uma é bonita do seu jeito. Veja abaixo uma foto dessa campanha tão bacana:





 Já a Nike realizou uma campanha com um sentido parecido, mostrando que não é preciso ser magérrima como as modelos que saem nas revistas. Uma das fotos você vê abaixo:

Tradução: "Eu tenho coxas grossas e isso é um elogio porque elas são fortes, tonificadas e musculosas.
Embora elas não sejam bem-vindas na seção de tamanhos pequenos, elas são celebradas em maratonas. Daqui
a cinquenta anos, eu vou embalar um neto nas minhas coxas grossas e depois vou sair pra correr."


A Dove ainda lançou, mais recentemente, uma outra campanha com o mesmo propósito. No vídeo, que você pode ver abaixo, algumas mulheres tinham que fazer uma descrição de como eram. Depois, uma outra descrição foi feita por uma outra pessoa. E tudo isso sendo desenhado por um profissional. O resultado é impressionante. Nem sempre o jeito como nos vemos é o jeito que somos vistas pelos demais.



Diante disso, a mensagem que deixo é: ame-se, cuide-se! Não necessariamente seguindo padrões, se você não se sente bem de tal forma, contudo, tente buscar uma qualidade de vida mais saudável, que isso só trará benefícios! Cuide, sim, do corpo, que é a casa onde você vive, visando sua saúde e o que é beleza para você, e cuide também da mente e da alma!

P.S.: Este post não é um publieditorial (post pago), embora tenha citado duas marcas reconhecidas no mercado. As mesmas foram citadas somente por terem campanhas com conteúdo relevante para o tema do post de hoje.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Receita: Salgado Maromba

A receita de hoje é bem especial, pois se tornou muito popular de uns tempos para cá. Para quem não sabe, algumas dietas voltadas para o exercício físico costumam ser muito restritivas, com pouca diversidade de alimentos, por exemplo. Nesses casos, é importante ser criativo nas preparações para a dieta não ficar monótona e principalmente para que a pessoa consiga manter-se nela!

Pensando nisso, a Tati Guidi "inventou" um salgado diferente, que, segundo ela, salvou a rotina e ganhou o nome de "salgado maromba"! Tentei fazer um dia desses, porém, não ficou como o original. Receita e mais explicações abaixo. Vamos lá!

Ingredientes:
- 100 g de frango cozido e desfiado
- 50 g brócolis (ou abóbora ou couve-flor) já cozidos e partidos em pequenos pedaços (para refeição baixa em carboidratos) OU batata doce/mandioca/inhame (para refeição com mais carboidratos)
- Temperos e sal a gosto
- Água (o suficiente para a mistura)

Recheio:
- O que você quiser! Sugestões: mais frango, espinafre, ricota, queijo cottage, requeijão light, etc.

Modo de Preparo:
Colocar o frango já desfiado com os brócolis (ou o alimento que você escolheu) no processador ou no liquidificador com um pouco de água até obter uma massa. Você pode acrescentar um pouco de farinha de aveia ou semente de chia na massa, se desejar. Untar uma forma e moldar o salgado como preferir, acrescentando o recheio. Pincelar com uma gema de ovo e levar ao forno (previamente aquecido) até dourar.

Como eu fiz o meu? Como podem ver na foto, não fiz em forma de "salgado". Não tenho processador e no liquidificador achei mais complicado de fazer. Tive que colocar mais água, deixando uma massa mais mole. Fiz a massa com batata doce e os complementos foram tomate, pimentão e orégano. Virou uma "torta maromba", na verdade e ficou muito gostoso também! Parece que ficou gigante olhando a foto, porém, só espalhei bem a massa, não ficou muito alta.

Vejam abaixo a foto de um salgado tradicional:

Foto: By Marina

Quem tem Instagram pode utilizar a hashtag #salgadomaromba e se inspirar nas fotos e receitas de outras pessoas. Fica a dica!

terça-feira, 5 de março de 2013

Como eliminar a barriga?

Observa-se por aí que perder a "barriguinha" é o desejo de mais de 90% das pessoas, normalmente mais as mulheres, o que não exclui os homens. São poucos os indivíduos que comem tudo o que querem, não engordam e não possuem barriga. Os demais precisam "ralar" se quiserem realmente eliminá-la.

Quando o tema é esse, ouve-se de tudo, desde exercícios que devem ser feitos, dietas mirabolantes, etc. Quanto às dietas, note que há quase toda semana revistas com chamadas como "Perca a barriga em 1 semana" ou similares. Sinceridade, pessoal? Não há como perdê-la em apenas uma semana. Isso só vai acontecer se for uma pessoa que quase não a possua e na verdade está com um inchaço, mas aí é outra coisa. A gordura dessa região do corpo é uma das mais difíceis de eliminar, porém, não impossível. Então, quanto mais dedicação houver, mais rápido você alcançará seu objetivo.
Para facilitar a leitura, vou dividir o post em duas partes principais, com alguns subitens: Exercícios e Alimentação. Vamos lá?

EXERCÍCIOS

- Abdominais:

Comecei com esse item/subitem propositalmente, pois muitos quando querem perder barriga ou deixá-la "tanquinho", com gominhos aparentes, ou mesmo lisa, pensam logo em fazer abdominais infinitamente, "se matam" fazendo esse tipo de exercício. Mas isso funciona?

Se pegarmos um livro de anatomia, podemos perceber que todos nascem com um abdômen como o da foto abaixo:

Aí você pode se perguntar: "Mas se já nascemos assim, então por que o meu não aparece nunca, mesmo que eu me mate fazendo abdominais todos os dias?" Aí que está: você pode fazer até mil abdominais por dia, no entanto, não deveria. Quando você faz musculação, dá um descanso para determinada parte do corpo e só volta a treiná-la depois de um tempo, não é? Com a musculatura abdominal, não deve ser diferente: ela precisa de treino e descanso! Então, você deve, sim, fazer abdominais, pois eles são importantes para deixar a barriga definida, durinha, mas não todos os dias! Converse com um profissional de Educação Física, que é o mais indicado para avaliar cada caso e para montar um programa bacana para você, que inclua exercícios para cada uma das partes mostradas na foto acima. Outra coisa: se você estiver acima do peso e fazendo muitos exercícios desse tipo, aí é que a definição não vai aparecer mesmo. Sabe por quê? Porque há uma camada de gordura em cima da sua musculatura e é necessário perdê-la primeiro (entenda no próximo subitem).

- Aeróbicos:

Para perder essa camada de gordura que está sobre a musculatura, é preciso investir nos exercícios aeróbicos, afinal, eles gastam mais calorias e com isso vão mobilizá-la. Caminhada, corrida, bicicleta e transport são alguns exemplos. A intensidade geralmente tem que ser alta para que haja gasto calórico relevante e também deve haver frequência. Novamente, um profissional da Educação Física saberá adequar essas atividades às suas necessidades.

Vejam que imagem fantástica: queimando o excesso de gordura, a barriga ficará lisa ou definida (depende do objetivo)

Existem pessoas bem magrinhas, com barriga e que podem dizer "ah, mas se eu for fazer exercício aeróbico demais, vou perder pernas, bumbum e eu só quero eliminar barriga!". Pessoal, infelizmente não existem "regiões prerefenciais para perda de gordura no corpo". No momento que você começa a fazer exercícios (não só os aeróbicos) e dieta (próximo item), haverá perda de gordura no corpo todo: braços, pernas, bumbum e inclusive peitos! A vantagem é que os três primeiros podem ser aumentados, caso queira, com musculação e alimentação correta. Logo, não há motivo para desespero. Mas que é preciso muita paciência e dedicação, isso é!

Lembram do post sobre bulking e cutting (ou apenas bulk e cut)? Caso você não tenha lido, clique aqui. É provável que você tenha que passar por essas fases para chegar a tão sonhada barriga "sarada". Fazendo um pequeno resumo, o bulking é a fase de "ganho", ou seja, os treinos serão mais pesados e a dieta com mais calorias. Além de músculos em geral, você também vai ganhar um pouco de gordura. Acontece. No entanto, na fase do cutting é que haverá a perda de gordura, sempre buscando manter a massa magra conquistada, com treinos, mais aeróbicos e dieta mais restrita. O bacana de fazer essas duas fases, principalmente para os mais magrinhos, como citado no paráfrago anterior, é que depois da queima a gordura em excesso, não há tanto problema no sentido de perder medidas em alguns locais, pois você já obteve um ganho na primeira fase.

Muitos homens também querer um abdômen definido!

ALIMENTAÇÃO

Como eu falei, o item dos exercícios foi colocado propositalmente em primeiro lugar. Contudo, aqui você vai entender que a alimentação é a maior responsável pelos resultados de certos objetivos que você pode ter em relação ao corpo (dica: leiam esse post também). É essencial unir tanto alimentação quanto dieta, pois os dois se complementam, os exercícios auxiliam no tônus muscular e na perda de gordura. Só que se você tiver uma dieta incorreta, estará jogando dinheiro fora com academia.

Alimentação: Aliada da barriga dos seus sonhos!
Como li em um outro blog certa vez, dieta não deve ter dia para começar e terminar. Você tem que incorporar novos hábitos por toda a sua vida (algo que sempre falo por aqui). Dieta (no sentido de alimentação saudável) deve ser estilo de vida. Se seus hábitos forem muito inadequados, o ideal é começar com pequenas mudanças, senão, antes de finalizar o primeiro mês, você já vai querer desistir, comer tudo que comia antes. Lembre-se: toda mudança, mesmo que pequena, já é um avanço. Procure sempre melhorar!

Algumas dicas são fundamentais para eliminar a barriga:

- Aumentar o consumo de água: A água é fundamental à nossa saúde de forma geral. Isso vocês já estão cansados de saber, pois sou fã dessa querida! Neste caso, ela auxilia na eliminação de toxinas e também no funcionamento do intestino. Vocês sabiam que intestino preso também dá barriga? Beba mais água! Como sempre digo: carregue a sua garrafinha no trabalho, na faculdade, etc, e se for necessário, encontre "métodos" que te ajudem a lembrar de bebê-la (despertador do celular, recados, entre outros).

- Não ficar muitas horas sem comer: Isso já é até um clichê no mundo da nutrição, mas é verdade. Ficar mais que 3 ou 4 horas sem se alimentar pode levar ao acúmulo de gorduras no corpo e deixar o metabolismo mais lento. Ninguém quer, né? Lembre-se: quanto mais tempo você ficar sem comer, a tendência é chegar na refeição com muito mais fome, logo, a possibilidade de exagerar na quantidade e comer alimentos não saudáveis é grande, além disso tudo dilatar o estômago. Habitue-se a fazer mais refeições ao dia, cerca de 5 ou 6, que podem ser divididas em café da manhã, almoço e janta + 2 ou 3 lanches intermediários.

- Evitar fast foods e guloseimas: Sempre falo que dieta não deve ser martírio, que há espaço para vez ou outra comer um doce ou outra coisa que você gosta. No entanto, quando se faz um programa de exercícios e alimentação com foco na barriga, que, como já dito, é uma das gorduras mais difíceis de eliminar, quanto mais regrado você for, mais rápido verá os resultados. Eu preferiria evitar MESMO. No início, pode ser mais difícil, mas quando você adequa sua alimentação, com os nutrientes que precisa, essa vontade de comer besteiras acaba passando, pois, muitas vezes, a fissura por doces, por exemplo, pode ser alguma deficiência nutricional. Observo que há um aumento constante de blogs na internet com receitas saudáveis, ricas em proteína, baixas em gordura e com carboidratos do bem (deliciosas também!). Aqui no blog mesmo eu posto algumas receitas. Tente fazer receitas saudáveis e que não prejudicarão seu objetivo, em vez de sair para comer batata frita, hambúrguer (pura gordura e sódio) e tomar refrigerante (cheio de açúcar, corantes, conservantes...). Pense: não vale o esforço?

- Optar por proteínas magras: Uma dieta rica em proteínas (rica não quer dizer com excesso e, sim, adequada às suas necessidades), auxilia no aumento de massa muscular, evita a flacidez e acelera o metabolismo. Por isso, incluir boas proteínas na alimentação é essencial. Boas opções: frango, peru, carne vermelha magra, peixes (possuem gordura, mas saudáveis), ovos, leite e iogurte desnatados, queijos brancos (ricota e cottage, por exemplo).

- Optar por carboidratos "do bem": Muitos chamam de carboidratos do bem os de baixo índice glicêmico (às vezes, moderado também), ou seja, aqueles que demoram mais a virar glicose sanguínea, e, por isso, dão mais sensação de saciedade e evitam inflamação e o acúmulo de gordura. Boas opções: batata doce, inhame, cará, aveia, quinoa, amaranto, pão, arroz e macarrão integrais, legumes e frutas (algumas possuem alto índice glicêmico, portanto, o ideal é verificar antes - pretendo falar sobre isso ainda aqui no blog, ok?). Assim, se possível, evite ao máximo alimentos feitos com farinha branca (pães, biscoitos, macarrão) e açúcar, que disparam a produção de insulina e aumentam o estoque de gordura abdominal, além de fermentarem e estufarem.

É importante ficar de olho no rótulo dos alimentos, observar seus ingredientes. Às vezes a propaganda na frente é grande e nem tudo é o que parece no verso: pode ter muito açúcar, gordura, ser feito com mais farinha branca, etc. Uma dica: os ingredientes aparecem na ordem em que são colocados (em quantidade) e se o primeiro ingrediente for "farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico", é porque foi adicionado em maior quantidade, mesmo que depois apareça "farinha de trigo integral". Nem sempre é possível comprar tudo sem esses dois produtos, mas bom senso é indispensável para fazer boas escolhas!

- Optar por gorduras "boas": Ainda quero fazer um post explicando melhor isso também. Gorduras boas são aquelas que estão presentes nos peixes, no azeite de oliva, nas oleaginosas (castanhas, nozes, amendoim, amêndoas...), azeitona, abacate, etc. São alimentos que podem fazer parte da alimentação com frequência, ao contrário das carnes gordas, frango com pele, maionese, manteiga e outros alimentos, que, se possível, é melhor excluir, pois possuem gorduras saturadas. Essas gorduras "boas" são anti-inflamatórias, ajudam a fornecer força e energia, dão saciedade, aumentam a produção hormonal, ofertam calorias de maneira saudável e ajudam a manter os níveis de colesterol sob controle. Como são fontes justamente de gordura, esses alimentos são um pouco mais calóricos, no entanto, um bom plano alimentar montado por um nutricionista pode incluí-los sem prejudicar o seu objetivo, pelo contrário, vai ajudar e muito!

Como podem ver, há muitos detalhes fundamentais para perder a barriga. É difícil? É, sim! É preciso muito esforço e dedicação, pois o abdômen vai sendo construído dia após dia e os resultados compensam!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Propriedades Funcionais da Banana Verde

A banana é uma das principais fontes de amido das dietas dos trópicos, mas, apesar de ser famosa por ser rica em carboidratos e energia, é uma fruta rica em vitaminas e minerais importantes para a saúde. Falando exclusivamente da banana ainda verde, quando cozida, é apropriada para o preparo de subprodutos, como a biomassa e a farinha, devido ao alto teor de amido presente nas fibras da sua casca e polpa.


O amido presente na banana verde é chamado de amido resistente, uma forma resultante do amido não-absorvido pelo intestino delgado. Atua de forma semelhante às fibras alimentares, ajudando no funcionamento intestinal, no aumento do bolo fecal, na redução do esvaziamento gástrico, além de prevenir e tratar a constipação intestinal e problemas associados a ela (hemorróidas, por exemplo), prevenir o desenvolvimento de câncer do intestino e dar maior sensação de saciedade.

A banana verde e seus subprodutos são considerados alimentos de baixo índice glicêmico. Mas o que isso quer dizer? A velocidade com que um alimento é digerido determina o seu Índice Glicêmico (IG). Quanto maior for o IG de um alimento, mais rápido ele eleva a nossa glicemia, causando picos de insulina, o que aumenta a sensação de fome e, ao longo do tempo, pode ocasionar diabetes tipo 2 ou, para quem já é diabético, ocasiona o descontrole da mesma. Por outro lado, quanto menor for o IG de um alimento, maior será a sensação de saciedade, o que auxilia nas dietas de forma geral, pois evita que o indivíduo tenha "ataques" de fome e evita também o armazenamento de gordura, ocasionado, nesse caso, pelos picos do hormônio insulina.

Alguns estudos têm indicado que a banana verde também auxilia na redução de colesterol, pela redução da sua produção pelo fígado. Como ajuda ainda na sua eliminação pelos ácidos biliares, isso evita doenças cardiovasculares.

A farinha de banana verde tem sido bastante divulgada na mídia e seu consumo deve estar associado a uma dieta saudável para que haja benefícios realmente. Pode ser adicionada a sucos, sopas, iogurtes, nos pratos do almoço e jantar ou em preparações como bolos e tortas, no entanto, nesse caso, pesquisei e há dicas de não usar mais que cerca de 1/4 de farinha de banana, pois a massa pode ficar "grudenta" demais. Dica da nutri: quando como arroz e feijão, utilizo cerca de 1 colher (sobremesa) junto e misturo. É como uma farofinha.

Caso queira preparar em forma de biomassa, não tem problema. Veja a receita:

Biomassa de Banana Verde

Ingredientes:
- Banana verde na quantidade desejada

Modo de Preparo:
Lavar bem as bananas (com casca) com ajuda de uma esponjinha e detergente. Em uma panela de pressão com água fervente, cozinhar as bananas (ainda com casca) por cerca de 10 minutos (a água deve cobrir a fruta). Desligar o fogo e deixar por mais 15 minutos, com a tampa fechada, para terminar o cozimento. Deixar o vapor sair naturalmente, retirar as bananas e agora as cascas, uma a uma, e adicionar a polpa ainda quente no liquidificador. Bater a polpla e se for necessário, adicionar um pouco de água. Se não for utilizar na hora, guardar na geladeira por até 5 dias.

A biomassa tem sabor neutro e também pode ser adicionada a preparações como bolos, tortas, substituindo parte da farinha de trigo. Já vi receitas com substituição total, porém, como não testei, não posso dizer a vocês se dá realmente certo. ;)

Então, pessoal, resumindo sobre os principais benefícios da fruta ainda verde:
- Maior saciedade, o que ajuda no emagrecimento e manutenção de peso;
- Evita picos de insulina, prevenindo a diabetes tipo 2 e controlando-a em quem já é diabético;
- Evita doenças cardiovasculares;
- Melhora o funcionamento intestinal, prevenindo inclusive câncer de intestino.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Cuidados Nutricionais no Pré e Pós-Operatório de Cirurgias Estéticas

Mais um post que mostra a importância da nutrição em diversos aspectos: desde a prevenção e o tratamento de doenças até a parte estética. Hoje o tema é: cuidados nutricionais nos períodos pré e pós-operatório de cirurgias estéticas. Na realidade, em qualquer processo cirúrgico, estético ou não, alguns cuidados devem ser tomados para que a recuperação seja um pouco mais fácil. Mas o foco aqui será cirurgia plástica estética. Foi publicada em janeiro deste ano uma notícia em vários sites (você pode ler clicando aqui) que o Brasil ocupa o 2º lugar em cirurgias estéticas no mundo, portanto, torna-se evidente que é necessário informar sobre tudo que tiver ligação com isso.

Engana-se quem pensa que basta fazer uma cirurgia plástica e está tudo resolvido. Vamos pegar o exemplo de uma lipoaspiração: é possível perder as teimosas gordurinhas com muita dieta (no sentido de alimentação adequada e não de "martírio") e muito exercício. É mais demorado, mas que elas somem, somem! Porém, quem não está disposto a isso ou mesmo depois de muito tempo se alimentando e se exercitando sem ver mais resultados, a cirurgia pode, sim, ser uma alternativa. O ideal é que existam hábitos de vida saudáveis sempre, inclusive para a manutenção dos resultados, no entanto, considero, assim como outros profissionais, fundamental ter um pouco mais de cuidados relacionados à alimentação antes e depois do procedimento escolhido.

Prótese de Silicone: Alternativa para quem tem seios pequenos ou que diminuíram com exercícios e dieta

Esse post tem o objetivo de enfatizar a importância da alimentação em períodos tão delicados como o pré-operatório e mais ainda o pós-operatório, para ajudar a melhorar a cicatrização, atenuar o processo inflamatório, etc. Isso não quer dizer que minimize outros riscos relacionados à cirurgia. Lembre-se que toda cirurgia tem seus riscos, então, se você fez recentemente ou pensa em realizar alguma, converse bem com seu médico sobre outros cuidados que devem ser tomados, para que o resultado final seja extremamente satisfatório. Lembre-se, ainda, que são informações gerais, logo, caso queira receber prescrições adequadadas ao seu organismo, à sua rotina e às suas condições físicas, não deixe de consultar um nutricionista!

Lipoaspiração: Ajuda a mudar suas formas, mas NÃO é recurso para emagrecer.

A agressão causada por uma cirurgia provoca alterações locais e também distúrbios sistêmicos, que são mediados pelos fenômenos da adaptação à nova condição e ainda pela resposta ao trauma. Nesse período, costuma haver o catabolismo proteico e lipídico, entre outras mudanças endocrinometabólicas.

Deficiências nutricionais podem ser causadoras de inúmeros problemas, contudo, em se tratando de cirurgias, elas podem dificultar a cicatrização, uma vez que deprimem o sistema imunológico e diminuem a quantidade  e a produção do tecido de reparação. A cicatrização é um processo bastante complexo e envolve muitos nutrientes, por isso, o estado nutricional interfere diretamente na recuperação tecidual.

Pré-Operatório:

Com cerca de uma semana de antecedência do procedimento, a dieta deve ser rica em ferro, considerando que há perda de sangue e, consequentemente, perda deste mineral, o que poderia ocasionar em uma recuperação mais lenta e anemia. Boas fontes do mineral: carne vermelha, vegetais verde escuros (rúcula, couve, agrião, etc), oleganinosas (nozes, castanhas, amendoim, etc), melado de cana, leguminosas (feijão, lentinha, grão de bico, entre outros). E uma dica sempre válida é utilizar alguma fonte de vitamina C (laranja, limão, acerola, tangerina, abacaxi, etc) junto da refeição para potencializar a absorção do ferro.

A dieta deve ser normal em proteínas, embora alguns profissionais possam criar um plano alimentar hiperproteico, contemplando as do tipo de alto valor biológico e adequadas às necessidades nutricionais do indivíduo. Em outros aspectos, como carboidratos e gorduras, eles devem ser de boa qualidade: no caso dos carboidratos, priorizar os de baixo índice glicêmico, ou seja, aqueles que são transformados em glicose mais lentamente, saciando a fome e evitando o aumento de peso, além de gorduras "boas", vindas das oleaginosas, azeite de oliva, salmão, abacate, semente de linhaça, chia, etc.

A maioria das cirurgias exige jejum, então, siga corretamente as orientações prescritas pelo médico, mas procure se alimentar bem nos dias anteriores, para evitar problemas.

Pós-operatório:

A partir de 36 horas após a cirurgia, a dieta deve ser normocalórica, rica em nutrientes como ferro, proteínas (oferta maior que situações normais: cerca de 1,2 g/kg/dia), ácidos graxos (linoleico e oleico, que possuem papel anti-inflamatório), albumina, glicina, arginina, glutamina, colágeno hidrolisado, vitaminas A e C e zinco. A alimentação rica nesses dois últimos nutrientes é importante, pois ambos auxiliam no fortalecimento do sistema imunológico. Ainda, são antioxidantes, protegendo o organismo de danos causados pelo estresse oxidativo, e auxiliam na cicatrização.

A cicatrização consome energia, por isso, o fornecimento correto de calorias e nutrientes é essencial a fim de evitar o catabolismo nesse período. Se houver nessecidade de redução de peso, pode-se alterar a dieta para hipocalorica.

Esses nutrientes podem originar-se da própria dieta ou de suplementação, se houver necessidade. Isso, mais uma vez, deve ser avaliado pelo nutricionista.

A hidratação também deve receber atenção: consuma bastante água ao longo do dia (salvo se for solicitado controle por algum motivo), água de coco, sucos de fruta, chás. Apesar de outros líquidos terem permissão de consumo, a água pura é sempre indispensável.

Além disso, é interessante evitar alguns alimentos nessa fase, como frituras, produtos feitos com farinha branca (biscoitos, pães, bolos, macarrão...), que têm potencial inflamatório, álcool, que desidrata o organismo, alimentos industrializados como pizzas, sopas, lasanhas, pois são ricos em gordura, conservantes, sódio. O sódio que vem nesses alimentos, além do sal de cozinha, faz reter líquido, o que tende a deixar a pessoa mais edemaciada ("inchada"). Quanto mais natural puder ser a alimentação, melhor! Assim, aliando também à conduta prescrita pelo médico, aumentam as chances de a sua cirurgia plástica ser um sucesso! Cuidados que farão valer o dinheiro investido no procedimento! Pense nisso!

Alguns posts anteriores têm relação com o tema de hoje. Veja nos posts sobre celulite e estrias os nutrientes que devem ser consumidos, além de suas fontes (alguns são os mesmos citados hoje e complementam o conteúdo aqui descrito).

Referência:
PUJOL, Ana Paula (org.). Nutrição Aplicada à Estética. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2011.